INTRÓITO

VI Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade

Informações Complementares aos Concorrentes

Fase Preparatória do Futuro Grande Romance

0. – CARTA DE MARY LOU À TPL | A. Raposo

1. – PRIMEIRA CARTA DE NELINHA | Zé

2. – CARTA DE KÁTINHA | Arnes

3. – TEMPICOS PODE SER ALDRABÃO, MAS DE FORMA NENHUMA SERÁ MENTIROSO! | A. Raposo

4. – VOX POPULI | Onaírda

5. – HAJA DECORO E FALE-SE VERDADE. HÁ QUE ENTERRAR OS MORTOS E CUIDAR DOS VIVOS | Nove

 

 

CAPÍTULO 5.

HAJA DECORO E FALE-SE VERDADE

HÁ QUE ENTERRAR OS MORTOS E CUIDAR DOS VIVOS

Nove

Valha-nos Deus!

São passados anos sem eu ter lido tanta mentira e escabrosos relatos como nestas últimas semanas, a propósito da morte de Mary Lou. Os intervenientes neste caso conseguem superar alguns altos responsáveis políticos portugueses. É obra!

O que nos ofereceram foram relatos egotistas, um deles até com mal disfarçada auto-flagelação, pelos quais os respectivos autores pretenderam reescrever a história a seu favor e, ao mesmo tempo, propagandear frustrados actos libidinosos como se estes tivessem sido especiais momentos de glória.

Nelinha e Mary Lou já não são deste mundo, vítimas que foram de morte violenta. O seu óbito pode ser comprovado pelas autoridades. Importa agora descobrir o assassino ou os assassinos de ambas. E, acima de tudo, deverá cuidar-se desse anjo que é a Kátinha, fugida há quinze dias do lar de adopção, com a qual ninguém se preocupou.

As suas formas, como a própria confessou, num perigoso resvalar da vaidade para a volúpia, são muito atraentes e capazes de lhe garantir a subsistência. A ingénua pensa, certamente, em papéis de estrela de telenovela e não percebe o perigo a que se expõe. Julga ainda que arranjará, com o seu belo palminho de cara, um milionário que lhe dê independência económica. E não estará errada. Mas não percebe que o tal milionário quererá afagar-lhe a sedosa pele, acariciar-lhe os rijos seios, beijar-lhe o corpo de alto a baixo, colar os seus lábios aos dela em beijos de trocas salivares de profundezas inauditas, quererá ver, ouvir, cheirar, saborear tudo o que dela brote em espasmos de amor, quererá estar dentro dela e assim prolongar-se em êxtases aprendidos no Kama Sutra.

Ora, convém pôr a Kátinha de sobreaviso quanto a estes perigos. Penso estar em condições de levar a cabo tão meritória tarefa, seja pela teoria seja por uma convincente e eficaz doutrinação prática. Assim Deus me ajude em mais esta espinhosa acção, como sempre me tem ajudado.

Julgo, portanto, ser de pôr ponto final em recordações menos convenientes da Nelinha e da Mary Lou, bem como na publicação de falsas cartas das duas, numa orgia sebastianista de mau gosto. Guardo na memória a bela Nelinha, verdadeira obra de Deus, e as fotos da famosa irmã na Broadway. Rezo por elas quase todos os dias. É a beleza de ambas que venero e não o revivalismo de algum escabroso momento.

Há, como disse o Conde de Oeiras, que enterrar os mortos e cuidar dos vivos.

E viva, jovem e pujante está a Kátinha. Ajudem-me a encontrá-la, para felicidade de todos e, em especial, dela.

 

Bem hajam e Deus vos abençoe.

J Novena

 

Fontes:

Blogue Repórter de Ocasião, 25 de Janeiro de 2026

MARY LOU, MARY LOU – Onde estavas tu?, Edições Fora da Lei, Ano de 2010

 

© DANIEL FALCÃO