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VI Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade Informações Complementares aos Concorrentes Fase Preparatória do Futuro Grande Romance 0. – CARTA DE
MARY LOU À TPL | A. Raposo 1. – PRIMEIRA
CARTA DE NELINHA | Zé 2. – CARTA DE
KÁTINHA | Arnes 3. – TEMPICOS
PODE SER ALDRABÃO, MAS DE FORMA NENHUMA SERÁ MENTIROSO! | A.
Raposo 4. – VOX POPULI
| Onaírda 5. – HAJA DECORO
E FALE-SE VERDADE. HÁ QUE ENTERRAR OS MORTOS E CUIDAR DOS VIVOS |
Nove 6. – UM MISTÉRIO
DOS DIABOS | Detective Jeremias 7. – AS
MEMÓRIAS DE NÉLINHA. EM BREVE NOS PALCOS PORTUGUESES | Inspector
Boavida |
CAPÍTULO 7. AS MEMÓRIAS DE NÉLINHA EM BREVE NOS PALCOS PORTUGUESES Inspector Boavida
Foi John
Joseph Trêsvoltas quem dissipou as trevas que
toldavam os complexos e apertados caminhos da verdade. Segundo ele, a
luso-americana Mary Lou, sua parceira de contracena
em mais de vinte filmes depois de ter repartido com ela o palco em diversos
musicais na Broadway, no inicio da sua carreira como dançarino alguns anos
antes de conquistar Hollywood, resistiu à morte de Nélinha
a custo de muitos anti-depressivos e de sucessivas
curas de sono, mas não suportou o desgosto de saber da fuga da sua santa
sobrinha Kátinha de casa dos pais adoptivos. Para Trêsvoltas, porém, Nelinha morreu mas…
Mary Lou não! Actrizes
como Mary Lou ou Mary Lyn
são imortais. E ele promete fazer tudo o que estiver ao seu alcance para
manter viva na nossa memória colectiva a lendária
vedeta de origem lusa. No plano imediato, o popular actor
compromete-se a não deixar morrer um dos mais bonitos e antigos sonhos de
Mary Lou: mostrar a sua arte nos palcos
portugueses. O projecto que ele se propõe recuperar
estava agendado para a próxima temporada teatral, com estreia na cidade do
Porto, entretanto cancelado por motivos óbvios. O projectado espectáculo,
encenado por John Trêsvoltas, apresentaria Maria Lou em todo o seu esplendor, vestindo a pele de Sarah Bernardt, filha indesejada de uma célebre cortesã
francesa, que sonhou ser freira e acabou por conquistar os palcos da Europa e
dos Estados Unidos como actriz, entre os finais do
século XIX e os inícios do século XX. Tal como Mary Lou,
também Sarah subiu a vida a pulso, com a ajuda dos deuses e de outros
senhores que agora não vêm ao caso, mercê dos seus múltiplos e reconhecidos
talentos, chegando a merecer o epíteto de A
Divina Sarah. Sem Mary Lou não há, não pode haver, As Memórias de Sarah Bernardt,
porque só Mary estaria à altura de tamanha responsabilidade e ela já é só
espírito. Mas não será por isso que a terra que viu nascer Mary Lou deixará de lhe render justíssima homenagem. Trêsvoltas não é homem de só ter Fever on Saturday Night ou de usar apenas a cabeça para dar uso à Grease. Uma
febril imaginação criativa não parou de fervilhar nas suas meninges que fez
explodir um sonoro “eureka!” quando viu Kátinha
pela frente, acabadinha de chegar aos States em
busca da tia que julgava viva. Kátinha é o retrato chapado da tia, tão sexy e sedutora quanto ela. E o talento para a arte de
representar parece estar-lhe também no ADN. O que lhe falta em experiência
sobra-lhe em intuição, em todos os domínios e em qualquer posição, sentada,
de pé, deitada, de costas, de perfil... Trêsvoltas
não perdeu tempo. A sobrinha de Mary Lou ainda é
demasiado jovem e inexperiente para o papel
de Sarah Bernardt, mas tem a idade e o corpinho
ideal para encarnar a sua própria mamã, pelo que convocou um dos mais
conceituados guionistas da Broadway e lançou mãos-à-obra. Com recurso a
registos vídeo inéditos, onde Mary Lou interpreta
na perfeição momentos libidinosos relatados pela gémea Nélinha
no seu gasto Moleskine
de anotações diárias, a partir das quais foi também construído o guião, Trêsvoltas concebeu um espectáculo
que promete arrasar. Sozinha em palco, Kátinha vai
reviver As Memórias de Nélinha. Preparem-se, pois, para saber tudo sobre as
venturas e desventuras de uma mulher seduzida, enganada, explorada por uns
quantos padrinhos por quem distribuiu generosamente o seu amor sem nada pedir
em troca. Dentro de
poucos meses, num qualquer teatro perto de nós, em terras lusas, numa
digressão organizada por um tal figurão lisboeta com casa arrendada no Porto,
que vive numa lufa-lufa e há muito anseia uma boa vida, subirá ao palco um espectáculo que revelará uma grande actriz
e desvendará tudo, mas mesmo tudo, tudo, tudo, sobre o triste fim de Nélinha. Talvez agora se faça finalmente justiça e o
homem (ou mulher?..) que matou a infeliz patrona dos detectives
de domingo seja definitivamente desmascarado e encarcerado numa cadeia de
alta segurança. Para sempre! Smaluco (de partida
para a Broadway, onde vai acompanhar os ensaios finais da peça As Memórias de Nélinha,
a expensas da secção Policiário do jornal Público) Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 8 de Fevereiro de 2026 MARY LOU, MARY LOU
– Onde estavas tu?, Edições Fora da Lei, Ano de 2010 |
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© DANIEL FALCÃO |
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