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VI Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade Informações Complementares aos Concorrentes Fase Preparatória do Futuro Grande Romance 0. – CARTA DE
MARY LOU À TPL | A. Raposo 1. – PRIMEIRA
CARTA DE NELINHA | Zé 2. – CARTA DE
KÁTINHA | Arnes 3. – TEMPICOS
PODE SER ALDRABÃO, MAS DE FORMA NENHUMA SERÁ MENTIROSO! | A.
Raposo 4. – VOX POPULI
| Onaírda 5. – HAJA DECORO
E FALE-SE VERDADE. HÁ QUE ENTERRAR OS MORTOS E CUIDAR DOS VIVOS |
Nove 6. – UM MISTÉRIO
DOS DIABOS | Detective Jeremias 7. – AS MEMÓRIAS
DE NÉLINHA. EM BREVE NOS PALCOS PORTUGUESES | Inspector
Boavida 8. – A
CULTURA MADE IN USA | Búfalos Associados 9. – AS
PREOCUPAÇÕES DA NÉLINHA | Zé |
CAPÍTULO 8. A CULTURA MADE IN USA Búfalos Associados
Razões que não
vêm agora ao caso, fizeram com que me tornasse amigo
de uma jovem portuguesa de nome Kátia que tem sido
em diversas circunstâncias um amparo carinhoso em alguns momentos da minha já
longa vida de imigrante. Conhecemo-nos durante umas férias que passei em
Portugal e ela visita-me regularmente em Los Angeles, onde exerço a actividade de “marchand” e crítico de arte vai para 50
anos. Eu pago-lhe as passagens e tento sempre satisfazer todas as
necessidades que ela manifesta. Curiosamente deixei de ter notícias dela
desde o Outono passado. Sigo, com alguma relutância, pela internet, a
incrível sequência de vexames com que um grupo de frustrados senis tentam
atingir o bom nome de uma família, filha, mãe e tia, senhoras, pelo que sei,
de reputação impoluta e dignas do maior respeito. Não posso pois
deixar de vos dar conta de uma passagem de uma carta que acabo (finalmente…)
de receber da minha querida Kátia e que revela mais
uma vez a maldade feroz com que a tentam denegrir. Diz ela, depois das habituais
manifestações de carinho que desinteressadamente sempre me dispensa: “Imagine o tio (é assim que ela me
trata) o que agora me está a acontecer.
No final do Verão passado conheci aqui em Los Angeles, para onde vim morar
como costureira de camarins de teatro da minha tia Mary, um jovem português
muito simpático que falava várias línguas incluindo o madeirense, e que
andava por cá em gozo de curtas férias. Aquela cara não me era estranha, mas
confesso que nem sequer fiquei a saber o seu nome. A verdade é que não
consegui resistir ao seu encanto e tivemos uma aventura de curta duração mas
intensa e fulgurante. Algum tempo depois verifiquei que estava grávida e como
a minha mãe sempre me ensinou que o que Deus nos dá não é para deitar fora, a
criança nasceu no passado dia 25 de Junho. Entretanto tinha já tentado
localizar o pai. Fui ao Consulado de Portugal e mostrei uma fotografia dele
que lhe tinha tirado com o meu telemóvel. O tio não pode imaginar o reboliço
que foi naquele Consulado. Risos, gritos, correrias, o diabo. Ainda hoje não
percebo porquê. O que me disseram foi que iam conseguir localizar o pai do
menino que ia nascer. Realmente daí a alguns dias fui contactada por um
advogado português que me propôs que, assim que a criança nascesse, a troco de
uma quantia fabulosa de que me pagou logo metade, eu deveria entregar a
criança à guarda exclusiva do pai. E assim se fez, assinei uma catrefada de
papéis, a coisa ficou assente e tudo foi cumprido conforme o combinado. Claro
que tenho muita pena de não voltar a ver o meu filho. Ainda hoje recordo com
saudade os pontapés que ele me dava na barriga. Mas o balúrdio que recebi
dá-me para vir a criar, se quiser, uma dúzia de crianças. Há no entanto outra
coisa que me anda a incomodar. Então não é que as minhas amigas andam agora
por aí a dizer que eu sou a mãe do filho de um tal Cristiano Ronaldo, o
futebolista mais bem pago do Mundo? Meu Deus, eu sei lá quem é o Cristiano
Ronaldo! Eu nem gosto, nem percebo nada de futebol!” E pronto, meus
senhores. Vejam bem até onde pode chegar a maldade dos homens. E das mulheres
também, claro. Espero que esta carta e o que ela contém possa vir a causticar
as vossas consciências de gente maldosa e cruel. Los Angeles,
13 July, 2010 Andy Saaavedra (Crítico de
Arte) P.S. Saaavedra com três “as” porque a minha mãe era de apelido
Sá e o meu pai Saavedra. No registo resolveram simplificar para Saaavedra. Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 15 de Fevereiro de 2026 MARY LOU, MARY LOU
– Onde estavas tu?, Edições Fora da Lei, Ano de 2010 |
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© DANIEL FALCÃO |
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