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A DEUSA ESCANDINAVA

F. Mateus Furtado

Nasceu para ser adorada e generosamente venerada por todo o Planeta, nos Tempos Modernos, mas os seus principais apaixonados, paradoxalmente, na sua grande e esmagadora maioria, anciãos, encontram-se em Portugal, Espanha e Brasil. Ao inverso dos doze míticos Deuses Olímpicos, os principais residentes do Monte Olimpo, Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dioniso, esta Deusa Escandinava talvez tenha surgido em meados do século XV e embora as suas origens de etnónimos e gentílicos indiquem ou possam parecer ser natural de uma ilha costeira ou de um lago interior, montanha glaciar ou numa vasta floresta, na verdade, os seus devotos nascidos em Espanha e Portugal exigem, para si, nos seus Países, o aparecimento desta jovem e misteriosa Deusa, que representa para os seus apaniguados um conceito de natureza divina que não teve princípio nem nunca se conhecerá o seu fim. Uma Deusa, de atributos de todo o conhecimento, de poder ilimitado, de sorte, de querer vencer, de magia, perfeita, dedicada e amorosa.

Habitualmente esta Deusa é venerada por grupos, isolados, de quatro apaixonados que cumprem as regras rigorosas do culto, para que a sorte não lhes seja nefasta e em nenhuma das orações, quando se exige que o momento seja silencioso, os adoradores devem comunicar entre si. É altamente proibido… para que não sejam castigados! Por vezes, como nas alturas da Quadra Natalícia reúnem-se muitos admiradores para o respetivo preito, mas entre… bacalhau, peru, galo e cabrito, polvo, camarão tigre ou simples, filhós, sonhos de natal, fatias douradas, coscorões, rabanadas, azevias, arroz doce e aletria, pão de ló e lampreia de ovos, tronco de natal, bolo-rei, bolo-rainha, bolo príncipe ou escangalhado, vinhos de todas as espécies, cervejas, águas, sumos e licores, aguardentes, whiskys, ginja de Óbidos Vila Rainha e outras bebidas… quando o momento é de solenidade devida, depois dos primeiros festejos, cumprimentos, entre abraços e beijos, o silêncio impõe-se e formam-se os grupos de quatro partidários, na maioria anciãos, de ambos os sexos e, por vezes gente nova, discípulos que assimilam os princípios de adoração da Deusa Escandinava. E a celebração começa e realiza-se, por vezes com frenesim silencioso, mas amistoso e depois das homenagens é o momento do sentar à mesa, de confraternizar depois da Deusa amar e saudar esquecendo, por algumas horas, a Escandinava que lhes alegra e recreia os espíritos.

Desta vez, na celebração e veneração de um Natal que se esperava fantástico, em 2022, após a Pandemia do Covid-19, onde, em conjunto, os devotos da Deusa Escandinava estiveram impedidos de se reunir, em festa, durante dois inconfortáveis e desunidos anos (2020 e 2021) – a “coisa” correu mal, pois, os apaniguados, sedentos da prestação do culto à Deusa Escandinava, antes do momento solene beberam e comeram demasiado, abusando nos aperitivos, e entre comidas e bebidas o discernimento já não era igual, como antigamente, e os regulamentos deixaram de ser escrupulosamente cumpridos!

Este tão desejado reencontro Natalício, após Pandemia, foi esperado para aquecer os corações calorosos e especiais dos admiradores da Deusa Escandinava, mas num momento casual e fortuito, sem qualquer intuito, quebrou-se o silêncio, em determinado lugar, num dos grupos de quatro devotos… e as altercações surgiram do nada… dois entusiastas e discípulos, de idade muito avançada, saíram das suas posições de veneração… levantaram-se autoritários, agressivos, acusadores, de dedo em riste, perante os seus irmãos, os piropos e as acusações malévolas de tom malquerente entoaram no ar… o sossego desapareceu… para desconforto total de todos os presentes!… O ambiente aqueceu!

…As palavras de calma e serenidade perdiam-se no meio de outras… exaltantes, ameaçadoras e sem nexo… e de repente… uma das mesas foi virada de suportes para o ar! O pânico instalou-se, naquele dia de Natal, entre os apaniguados da Deusa Escandinava, e ela nada podia fazer para os acalmar…

…Um grito, um empurrão, oradores descontrolados… uma mão no bolso de um casaco… uma arma à vista… num punho em riste… realista… para surpresa total!

– Não faças isso|… – ouviu-se entre alaridos e confusão.

– É normal! Acontece numa situação ocasional! – tentava acalmar, entre gemidos, um irmão.

– Tem calma… guarda a arma! – sugeriu-se de antemão.

– Batota, batota! Vais pagar!! – gritou o desgovernado ancião.

De repente, um silvo, um disparo, um tiro (!?), ecoou no ar… por demais… em enorme perturbação! Evidentes sinais, uma cápsula cai estridente no chão… um homem tomba, cai, inerte… sangue brota da zona do seu coração! Ninguém se mete!… Situação penosa!

Gritaria, lamentação ruidosa, vozearia, chamou-se a Polícia!

Terminou de forma danosa, com a breca, aquele Torneio Natalício de SUECA!!

 

Fontes:

Blogue Local do Crime, 20 de Novembro de 2024

Secção O Desafio dos Enigmas [197], 10 de Fevereiro de 2025

 

© DANIEL FALCÃO